O fenômeno das parcerias

“O fenômeno das parcerias” foi o primeiro texto que escrevi como repórter para o site da Revista Fraude, em comemoração ao novo endereço na web e ao lançamento da Revista Fraude #11 (em breve conto mais detalhes, hehehe) resolvi repostar o texto aqui também para que as tendencialistas possam ter uma pitadinha do vem por aí… hehehe.

Desde a crise econômica de 2009 que afetou os EUA e a Europa as grandes redes varejistas da moda vêm buscando alternativas pra impulsionar as vendas. Além do investimento no mercado dos países em desenvolvimento, uma grande cartada é a parceria com renomados estilistas. A H&M, uma das maiores redes de fast-fashion do mundo, investe nesse tipo de negocio antes mesmo da crise, mas intensificou sua estratégia depois desse período. 

Parcerias como a da H&M com Karl Lagerfeld, Stella McCartney, Roberto Cavalli, Lanvin, Versace e Anna Dello Russo abriram um nicho até então inexplorado, as caçadoras de grifes. Se a ideia inicial das parcerias era aumentar as vendas através da democratização do acesso a peças de marcas consagradas com preço de fast-fashion (ou quase), popularizando a moda e principalmente as grifes. O fenômeno tomou outras proporções e passou a atingir outros públicos, o publico comprador das grifes.


Vejamos os casos brasileiros, há cerca de três anos a C&A intensificou suas parcerias e investiu até em nomes internacionais como o da designer Stella McCartney e as cantoras Beyoncé e Christina Aguilera. O resultado, principalmente na coleção da Stella, foram lojas abarrotadas de mulheres tentando pegar qualquer peça grifada a preço acessível.

Nas últimas coleções, as parcerias da Mixed, Santa Lolla, Dress To e 284 para C&A rederam tanto frisson que muitas peças esgotaram no lançamento, com direito a empurra-empurra digno de Black Friday americana. Mas o que atrai tantas consumidoras de classes tão distintas e fora do publico alvo às lojas de fast-fashion?


A resposta não se encontra apenas no marketing eficaz (afinal a coleção da Daslu para Riachuelo podia ter sido bem mais disputada), ou na beleza das roupas, muito menos na qualidade, que dizem ser inferior pra justificar o preço. A questão é a cobiça pela grife, a vontade de ter algo de uma marca desejada por um preço menor é tão forte que faz o público da própria grife se estapear por uma peça do fast-fashion. O que se adquire não é o produto, não é a roupa, não é a beleza, nem mesmo uma busca por identidade ou estilo, é o nome, o status.